domingo, 12 de julho de 2009

Eu fazia isso. Heh. Eu fazia muito isso. Ainda faço, às vezes, em matérias como Sociedade, Estado e Educação, e dou risadinhas comigo mesma e com um ou outro colega que também sabe emular o discurso preferido do professor. Mas não, nunca absorvi toda essa chatice. Era só preguiça de escrever tudo o que eu pensava e correr o risco de ter de discutir com o professor (ai, só de pensar, preguiça, preguiiiça) ou tirar uma nota baixa por não achar que supermercado = capitalismo e capitalismo = o inimigo negro de nossas almas, né. Não valia a pena.

Pensando bem, até que não resisti, algumas vezes, e deixei escapar uma coisinha ou outra que pensava realmente. Na prova do vestibular, por exemplo. Tema da redação: a coisa de sempre sobre meio ambiente. Disse que o homem não era o câncer do planeta (era esse o tema exato, "o homem é o câncer do planeta?"), mas que também não precisava achar que a Terra é um ser vivo gigante ou uma deusa pra cuidar dela direito. Citei Gênesis, a aliança cultural de Deus com o homem - cultural no sentido de cultivar, cuidar do mundo, vocês sabem, leitores hipotéticos. Só depois de um tempo fui me tocar de que talvez o corretor da prova não gostasse muito de religião (especialmente cristianismo) expressa explicitamente num texto daquele tipo. Passei no vestibular, mas minha nota na redação não foi toda aquela que eu queria não. Nunca saberei, de qualquer forma, só sei que não resisti. Talvez ter feito a prova sem a mínima expectativa de passar nela tenha contribuído um pouco.

O que vem naturalmente é aquela coisa "mas você se rende ao discurso que professores chatos e socialistas gostam só pra tirar nota? Onde está a sua honestidade? Be true to your heart" e tal, e eu tenho que dizer que concordo. Não faço mais isso não - só com a matéria chata que falei lá em cima, mas aí é por pregüiça de discussões infrutíferas e vontade de me livrar logo. É nobre, vai. De resto, uma coisa boa que a faculdade trouxe foi a possibilidade de ter idéias, idéias *minhas*, e desenvolvê-las. Não só repetir o que está escrito no livro, mas ler o livro, pensar sobre ele e pensar mais um monte de coisas partindo daí. Escrever, fazer trabalhos, sobre coisas que eu gosto e acho que merecem ser pensadas e escritas. Em música no geral, sim, mas em educação musical também. A inspiração que a licenciatura me traz é criar um método, uma ferramenta que seja, diferente de todas essas coisas meio enfadonhas que estão aí. Um modo de usar as ferramentas existentes, melhor dizendo, que são boas mas acabam sendo um pouco estragadas pelas tias Lurdinhas musicais do meu Brasilzão.



(Esse post me leva à minha mais nova constatação, ainda não completamente amadurecida, que pessoas que não estudaram pedagogia são professores mais legais do que as que estudaram, mas 1. Eu estou de férias; 2. Comi Kinder chocolate; 3. Minha mãe me fez uma touquinha de tricô; 4.Minha prioridade nem é ser professora, embora músico sempre acabe dando aula e
5. Estou feliz demais pra desenvolver esse assunto agora. Então, o link pro texto - achei aqui!)

2 comentários:

Xuxi disse...

S.E.E. é enfadonha, já que na maioria das vezes um certo professor só fala da vida dele u.ú
Mas adorei suas idéias e caminhos a seguir em educação musical =)

Camila disse...

Quando a gente faz redação de vestibular sempre é assim, pra gente dar a nossa opinião numa dissertação. Mas na realidade vc tem que escrever o que o cara quer ler, não a sua opinião de verdade. Se o tema for o cigarro vc tem que ser totalmente contra, mesmo que seja totalmente a favor.
No mais, eu me senti ofendida pelo seu texto :( eu acredito nisso de que a Natureza é deusa, mãe, etc e tal... não igual esses wiccas, mas de uma forma particular. Chuif

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