quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Solo e pensoso

Luca Marenzio, compositor italiano do século XVI, compôs esse madrigal, que ouvi na aula de história da música hoje de manhã. Me lembrou de que, definitivamente, não é à toa que eu gosto tanto da renascença... Quem canta é o Deller Consort, o texto original está aqui e aí embaixo tem uma tradução de Ruy Espinheira Filho que achei aqui (em pdf) quando fiquei com dúvidas cabeludas demais e desisti de tentar traduzir sozinha.

Vale dizer para apurarem os ouvidos: a fim de expressar o sentimento de alguém que vaga sozinho, desolado, Marenzio usou no soprano (a voz mais aguda) uma escala cromática, com doze notas. Se você estiver com cara de what the heck, explico: Uma escala cromática é uma seqüência de notas que segue de semitom em semitom - dá pra fazer tocando as teclas brancas e pretas do piano, uma depois da outra. Nesse madrigal, serviu perfeitamente pra expressar a tensão, que vai crescendo de forma que você nunca sabe quando vai terminar. Era uma coisa bem quebradora de regras musicais, mas os renascentistas gostavam de colocar o texto à frente de tudo.

Passado o blablablá teórico de música só digo: É muito bonito, ouçam, ouçam!





Só, pensativo, ao ponto o mais insano,
Vou sondando, com passo tardo e lento;
E, por fugir, levanto o olhar atento
Aonde encontre qualquer rastro humano.

Da acolhida das gentes, ante o dano,
Não tenho outra opção e não me isento;
Que em todo ato de alegria isento,
De fora vêem-me dentro ao meu engano.

Porque eu creio que praias e penedos
E rios e florestas – tudo explique
Qual seja o meu viver, e a razão dele.

Mas de rumos tão ásperos e tredos
Não sei livrar-me, sem que Amor não fique
Implicando comigo – e eu com ele.

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