terça-feira, 22 de dezembro de 2009

2009

(Imitando o Nagel. Saudades, Nagel.)

O ano em que completei a idade mínima legal para dirigir, embora vá andar de metrô por um bom tempo ainda. O ano em que ingressei num curso de música de uma universidade pública, contra todas as minhas expectativas (não as da minha mãe). Em que me apaixonei por Aliocha Karamazov - mal terminou o ano e já me apaixonei de novo pelo príncipe Míchkin, esses russos não me deixam em paz. Em que li (mais) Jane Austen, Emily Brontë, uma montanha de livros sobre música antiga e fiquei fascinada com Nikolaus Harnoncourt. O ano em que vi mais concertos na minha vida, e também os melhores. Filmes antigos idem - o ano em que descobri, afinal, Marylin Monroe, e passei a gostar mais ainda de Audrey Hepburn. Em que me mudei para um apartamento antigo no centro de São Paulo. Em que aprendi alguma coisa de contraponto. Em que conheci muitas pessoas inteligentes e interessantes, grupos onde todo mundo sempre vai entender pelo menos a grande maioria das piadas. Em que assisti uma missa católica pela primeira vez - duas, na verdade: uma tridentina e outra moderna. Em que ganhei algum dinheiro tocando flauta, pela primeira vez. Em que descobri meio grau de miopia em cada olho (que já devem estar aumentando porque não fiz óculos ainda). O ano em que mais pensei sobre coisas - música, bildung, artes, pessoas - que importam na minha vida, em que ganhei alguns dilemas não tão facilmente resolvíveis, mas também bons alicerces. A jolly good year, indeed, for which I thank the Lord.

E os planos pro ano que vem ainda virão em outro post, é claro. Não deixo de fazer tais listinhas.

2 comentários:

uma cadeira disse...

Foi tudo tão bom que é difícil decidir se tanta coisa boa junta vai inspirar ou esvaziar o meu dia.

Gustavo Nagel disse...

Oi, Fernanda. Que seu 2010 seja ainda melhor.

Beijão.

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