quinta-feira, 1 de abril de 2010

É claro que gosto de ir a concertos grandes, ver grandes solistas e orquestras. Mas não é raro eu gostar mais de uma amiga minha cantando Se tu m'ami do que da Cecilia Bartoli (que é um MONSTRO SAGRADO DO CANTO LÍRICO, as Fausto Silva would say). Hoje ouvi uma caloura do meu curso tocar Vivaldi no violoncelo e bolas, fazia tempo que não ouvia um som bonito daquele jeito. Mesma coisa com vários amigos pianistas, flautistas, violonistas. Não é que todos tenham técnica, sonoridade e interpretação perfeitas - somos estudantes, sempre tem um monte de coisa pra corrigir -, mas o interesse maior reside no fator humano da coisa, eu acho. Eu conheço essas pessoas, elas estão próximas de mim. Conheço as personalidades e até alguns pensamentos e sentimentos de algumas. Faz muita diferença.

Acho que um bom músico, idealmente, deve conseguir estabelecer esse tipo de comunicação - fazer transparecer sua humanidade e personalidade mesmo pra quem não o conhece. Eu assisti a Natalie Stutzmann ano passado na Sala São Paulo e no final do concerto parecia que éramos amigas, porque ela conseguiu me comunicar algo significativo e rico. É claro que não dá pra assistir uma orquestra pensando em cada ser humano sentado lá, mas em solos e situações onde o músico está mais exposto individualmente, é interessante se lembrar de que é uma pessoa lá tocando. É um mundo completamente externo ao seu próprio, quem está produzindo aquela música. Não sei pra vocês, mas pra mim torna as coisas incrivelmente mais interessantes.

Não sei como fazer isso - e sei que é preciso vencer um monte de barreiras técnicas para ter liberdade o suficiente pra se expressar (é mais difícil pensar em discurso musical quando o mi bemol está falhando) -, mas é algo que ainda quero atingir. Ter riqueza expressiva pra passar para as pessoas. Nesse ponto eu sou meio renascentista (ou ainda meio grega) e acho que é importante se cultivar como pessoa (moralmente, espiritualmente etc) - ou seja, não adianta tocar Rach 3 lindamente se você for um porqueirão vazio. Mas isso já é outro assunto.

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