quinta-feira, 20 de maio de 2010

Música eletroacústica

Nunca tinha ouvido. Ontem fui, pela primeira vez, a um concerto. A atmosfera é no mínimo interessante - como a música é produzida por computador e auto-falantes, a luz no auditório é mínima e a maioria das pessoas (me included) ainda fecha os olhos. Provavelmente isso vai soar muito estranho vindo de mim, mas no geral até que gostei. Não sei se existe outra possibilidade de escuta além do "senta aí, fecha os olhos e viaja na maionese" - voltando pra casa, perguntei pra um amigo se dá pra ouvir música eletroacústica sem que a imaginação seja enviada diretamente a uma viagem interplanetária ou qualquer dimensão paralela. Fiquei tentando imaginar uma maneira de apreciar o gênero sem transformar tudo em música programática ("isso se parece com almas penadas emergindo de um lado, aquilo com uma explosão etc"). Se alguém tiver algo a dizer sobre isso, estou bem curiosa.

Meu conhecimento sobre o assunto é o mínimo dos mínimos, mas fiquei com a impressão de que a composição eletroacústica chega a tal nível de artificialização e manipulação do som, que o resultado musical é dificilmente comparável a qualquer coisa que conheçamos como música. Me parece o absurdo dos absurdos comparar as peças que ouvi ontem a qualquer coisa de Beethoven, por exemplo - e nem entro em juízo de valor, é só que são universos sonoros completamente diferentes.

No geral, foi uma experiência interessante. Gostei de ter minha concentração completamente voltada para a escuta - às vezes, mesmo em concertos "normais", sinto que se não tivesse nada pra ver aproveitaria mais a música (embora goste e defenda a fartura visual das salas de concerto). Foi algo como ir ver um filme surrealista num cinema 3D - você mergulha em outro mundo e isso é divertido, mas não gostaria nem de longe que fosse a única possibilidade de composição, e nem a principal.

3 comentários:

Thiago disse...

" nem entro em juízo de valor, é só que são universos sonoros completamente diferentes" - Acho que eu já falei essa frase exatamente, falando sobre música eletroacústica!

E eu até acho bastante interessante... mas pra mim, como parece que foi pra vc, é outro mundo! Acho que cheguei a comentar que talvez devêssemos chamar de "arte auditiva" em vez de "música", repensando as definições... ou englobar tudo em música, mas criar outra definição mais restrita para as coisas mais... digamos, "regradas"!

Fernanda disse...

É, é por aí. Mas a outra definição tem que ser pra coisas "não-regradas" mesmo, porque as "regradas" estão aí há muito mais séculos. Não acha? :^)

Thiago disse...

Acho, mas acho que mais por convenção!
Mas na verdade, importa tanto? Acho q o q interessa é que parecem ser 2 conceitos distinto, ou talvez 3, 1 pra "música como se conhece", 1 pra "arte de impressões sonoras e whatever else" e outra pra "arte sonora" de forma geral, que engloba as outras duas.

Apesar de que pensando agora, certamente tem intersecções entre as outras duas tbm - algumas músicas tendem a, ou talvez até tenham como objetivo criar "impressões sonoras" - veio na cabeça o impressionismo, de forma geral; por outro lado, algumas coisas eletroacústicas de fato seguem, ou pelo menos em grande parte seguem, ideias rítmicas, às vezes até harmônicas/melódicas que, se são inovadoras, são ainda reconhecíveis como "música sensu strictu".

Na real acho que é aquela velha coisa das definições. Elas até importam pra conseguir comunicar, e pra auto-afirmação, mas na verdade as coisas simplesmente são! =)

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