terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Quatro meses atrás

Acordei tarde e lembrei-me daquela madrugada em que contava pro U. o que Thoreau dizia sobre os que não sabem acordar cedo. A primavera chegou há alguns dias, o que no cerrado significa o início da época da chuva. Está diferente de todas as chuvas que eu já tinha visto - vem do nada, cai forte mas em pingos espaçados, vai embora da mesma forma que apareceu. Saí pra caminhar um pouco depois de uma chuvinha dessas e vi que a terra aqui na frente de casa já está começando a se pontilhar de verde. Ainda nem se compara àquele pedaço de terra que floresceu antes do resto por ser regado todo dia pelo deságue da roupa lavada, mas a diferença já é grande. Incrível como em poucos dias tudo o que estava seco floresce; a terra do cerrado dá a impressão de engolir a água em goles grandes.

Na caminhada até perto do portão senti cheiro de terra molhada, árvore regada e esterco de cavalo, bem de leve. Não desgosto.

A natureza sempre me causou a mesma sensação no fundo do peito, a mesma "nostalgia pelo futuro", o mesmo clamor por alguma coisa que me faltava. Às vezes era algo maior que a própria vida, às vezes só alguém no mundo. Agora eu tenho alguém no mundo e me peguei não sabendo bem o que sentir nessas caminhadas entre as árvores - essas que no passado me deixariam invariavelmente meio melancólica, mas agora me causam outra coisa que ainda não sei bem o que é.

Sobrará tempo pra descobrir, entretanto.


(25 de setembro de 2012)

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