quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Wishlist bibliófila de Natal (em ordem de querência)

Editora UNESP

1. Conversações com Goethe nos últimos anos de sua vida (Eckermann) https://www.amazon.com.br/Conversa%C3%A7%C3%B5es-Goethe-%C3%9Altimos-Vida-1823-1833/dp/8539306298/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1479922293&sr=8-1&keywords=conversa%C3%A7%C3%B5es+com+goethe

Editora 34

1. Fausto II (Goethe)
https://www.amazon.com.br/Fausto-Johann-Wolfgang-Von-Goethe/dp/8573263733/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1479922239&sr=8-1&keywords=fausto+II

2. Ensaios (Montaigne)
http://www.editora34.com.br/detalhe.asp?id=928

3. Viagem ao Harz (Heinrich Heine)
https://www.amazon.com.br/Viagem-ao-Harz-Heinrich-Heine/dp/8573265477/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1479923170&sr=8-1&keywords=viagem+ao+harz

4. Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (Goethe)
https://www.amazon.com.br/Os-Anos-Aprendizado-Wilhelm-Meister/dp/8573263601/ref=sr_1_32?ie=UTF8&qid=1479923344&sr=8-32&keywords=editora+34

5. Teatro Completo (Gógol)
https://www.amazon.com.br/Teatro-Completo-Nikolai-G%C3%B3gol/dp/8573264322/ref=sr_1_39?ie=UTF8&qid=1479923362&sr=8-39&keywords=editora+34

6. Nova antologia do conto Russo (Bruno Barreto Gomide (org.))
https://www.amazon.com.br/Nova-Antologia-Conto-Russo-1792-1998/dp/8573264837/ref=sr_1_37?ie=UTF8&qid=1479923362&sr=8-37&keywords=editora+34


Ateliê Editorial

1. Cancioneiro (Petrarca)
http://www.atelie.com.br/livro/cancioneiro/

2. Cinquenta poemas (Michelangelo)
http://www.atelie.com.br/livro/michelangelo-cinquenta-poemas/

3. Vidas de Dante - Escritos biográficos dos séculox XIV e XV (Eduardo Henrique Aubert)
http://www.atelie.com.br/livro/vidas-dante-escritos-biograficos-seculos-xiv-xv/

4. Em nome do corpo (Jacopo Pontormo)
http://www.atelie.com.br/livro/nome-corpo/

5. Philobiblon (Richard de Bury)
http://www.atelie.com.br/livro/philobiblon/

6. O terceiro livro dos fatos e ditos heróicos do bom Pantagruel (François Rabelais)
http://www.atelie.com.br/livro/terceiro-livro-fatos-ditos-heroicos-bom-pantagruel/

7. O Quarto livro dos fatos e ditos heróicos do bom Pantagruel (François Rabelais)
http://www.atelie.com.br/livro/quarto-livro-dos-fatos/

8. Goethe e Hackert - Sobre a pintura de paisagem (Claudia Valladão de Mattos (org.))
http://www.atelie.com.br/livro/goethe-hackert-sobre-pintura-paisagem/

9. Orlando Furioso - Tomo I (Ludovico Ariosto)
http://www.atelie.com.br/livro/orlando-furioso-tomo-1/

10. O Simbolismo dos padrões geométricos da arte islâmica (Sylvia Leite)
http://www.atelie.com.br/livro/simbolismo-padroes-geometricos-arte-islamica/

11. ntologia fantástica da literatura antiga (Marcelo Cid (org.))
http://www.atelie.com.br/livro/antologia-fantastica-da-literatura-antiga/


Hedra

A demanda do santo graal
https://hedra.com.br/livros/a-demanda-do-santo-graal



Cia. das Letras

1. Doutor Fausto (Thomas Mann)
https://www.amazon.com.br/dp/8535926488/ref=pd_luc_rh_bxgy_01_04_t_img_lh?_encoding=UTF8&psc=1

2. A Montanha Mágica (Thomas Mann)
https://www.amazon.com.br/Montanha-M%C3%A1gica-Thomas-Mann/dp/8535928200/ref=sr_1_107?ie=UTF8&qid=1479923528&sr=8-107&keywords=editora+34

CosacNaify

1. Novelas exemplares (Miguel de Cervantes)
https://www.amazon.com.br/Novelas-Exemplares-Miguel-Cervantes/dp/8540509202/ref=gbph_img_m-4_c9eb_0d3ee88c?smid=A1ZZFT5FULY4LN&pf_rd_p=fdea6f83-392a-4196-825d-da7b3a7ec9eb&pf_rd_s=merchandised-search-4&pf_rd_t=101&pf_rd_i=10192490011&pf_rd_m=A1ZZFT5FULY4LN&pf_rd_r=PFHBTMCAX7JD3396AXMK





quarta-feira, 4 de março de 2015

Fugge il verno dei dolori

O basso di ciaccona e os timbres dos instrumentos antigos me dão uma noção quase palpável do que deve ser a eternidade (sim, eu de novo com essa da eternidade). Há coisas tão puras e bonitas na música que não entendo como podem ser finitas e por isso não posso evitar crer que devem perdurar, de alguma forma.

(quando John Updike diz "the ceasing of your own brand of magic", isso explica um pouco esse espírito, embora fale de outro aspecto da mesma coisa que quero dizer aqui)

Não entendo como viver olhando para tudo com sarcasmo o tempo todo. Que é o sarcasmo frente à viola da gamba, frente à pureza da ressonância de uma voz humana? Que é o dinheiro?

Gostaria de poder viver proporcionando às pessoas uma experiência verdadeira e recheada de significado, porque frente a algo verdadeiro não há fetiche que sobreviva. Não há discurso empolado ou mera tecnicalidade que subsista.

Uma das melhores coisas de ter escolhido a música é que, apesar do que possa surgir, temos a liberdade e a segurança para preservar e defender a beleza contra as investidas da liquidez e do caos destruidor (e digo a beleza de todos os tipos - a beleza do que é feio, também). Pensei hoje de manhã que nas outras artes isso já não é mais tão possível e hoje um colega disse que acha que a música é a arte mais verdadeira porque as artes plásticas são ou estão "cheias de artifício" de um jeito ruim. 

Há no mundo muito mais do que eu possa pensar em conhecer, mas as coisas do Velho Mundo permanecem ressoando no meu coração de um jeito singular, quase como o que a Itália, especificamente, representava para Goethe (já notaram que todos os lugares relacionados à Itália - sejam vendinhas, restaurantes, escolas ou centros culturais - todos eles têm uma certa brisa e uma certa coisa agradável?).

Nunca tive desprezo pelos rigores da common practice era, mas talvez a minha história familiar com a música popular tenha emergido, sem que eu percebesse, no meu amor pela música de um tempo onde as coisas não eram tão fragmentadas assim. 

Eu sinto saudade de muita coisa, a vida inteira. Já em criança sentia.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Cantar lontano

6 de outubro, à noite

[...]

Encomendei para esta noite o famoso concerto dos gondoleiros que cantam ao seu modo os versos de Tasso e de Ariosto. Digo encomendei esse canto porque ele passa de uma velha expressão que se perde nos ecos do passado, um espectro que se faz pagar caro pelos estrangeiros curiosos de vê-lo.

Favorecido por um soberbo luar, subi a uma gôndola, com dois cantores, um dos quais colocou-se na proa e o outro na popa, e começou, então, o concerto. As duas vozes não cantam nunca simultaneamente: um diz um verso, o outro responde logo com o verso seguinte, e isto se prolonga assim durante horas. A melodia, que fica entre o coral e o recitativo, segue sempre a mesma cadência sem estar submetida a uma medida regular, e os sons também não variam. Somente a declamação dá arte e vida a esse canto singular, porque o põe em harmonia com o sentido de cada verso.

Procurei em vão explicar-me a origem desse canto, mas é certo que esta maneira de moldurar versos decorados tem um grande encanto para um homem de gostos moderados. Uma variante desse divertimento, de que outrora os gondoleiros tinham o privilégio, tornou-se popular e de uso quotidiano, que é o seguinte:

Um homem do povo, sentado à margem de um canal, entoa, com toda a força dos seus pulmões, versos de Tasso. Os sons deslizam sobre a superfície da água e chegam ao ouvido de outro homem do povo, que responde imediatamente com os versos seguintes, aos quais o primeiro responde por sua vez, e os dois continuam assim muitas vezes por uma boa parte da noite. Isto encanta os que ouvem sem fatigar os que cantam.

Para me dar uma idéia dessa música nacional, meus gondoleiros fizeram-me desembarcar na Giudecca, depois colocaram-se ao longo do canal a uma grande distância um do outro, e começaram uma passagem de Tasso, enquanto eu passeava no espaço entre os pontos onde se encontravam os dois, afastando-me sempre do que ia começar a cantar para me aproximar do que terminara. Escutando assim essas duas vozes que não eram mais do que o eco uma da outra, e através do andamento do poema, elas me davam a impressão de uma lamentação sem motivo real mas que comove, emociona e arranca lágrimas: eu acabava de compreender o alcance e o espírito do canto veneziano.

Informaram-me que as mulheres do Lido, de Palestrina, de Malamocco, quando seus maridos partem para a pesca, vêm à noite para a praia e cantam até que suas vozes cheguem aos seus companheiros, que se apressam em responder-lhes e anunciar-lhes seu regresso. Não é um costume encantador? Certo, vozes que lutam contra as ondas não poderiam ser agradáveis de ouvir de perto, porém elas dão um acento de realidade a esse canto, dão vida a essa melodia, que até agora se tem debalde procurado compreender. Esta noite eu desvendei o segredo. Em Veneza, o homem lança sua voz possante numa vaga longínqua, porque se sente isolado e porque espera que outra voz escute a sua e lhe responda, e então ele já não estará tão só.


(Goethe, Viagem à Itália, e a inevitabilidade de se perguntar se estaria, talvez, nessa tradição popular, uma das origens ou inspirações para o policoral veneziano.)

não muito diferente da árvore

Logano, nos Apeninos, 21 de outubro de 1786, à noite

[...] enfim aqui estou numa estalagem miserável, com um capitão do exército do Papa, pertencente à guarnição de Bolonha, e que se dirige à Perúgia, sua cidade natal, para visitar a família. Metido com esse oficial numa pequena carruagem, disse-lhe, unicamente para dizer alguma coisa, que, como alemão, estava habituado a conviver com militares e me sentia feliz por ter companheiro de viagem um oficial do Papa.

- O senhor pode gostar da carreira militar - respondeu-me. - Quanto a mim, ainda que nosso serviço seja muito fácil, gostaria de me ver livre deste uniforme e fazer prosperar os modestos haveres de meu pai, mas sou o filho mais moço e tenho de me resignar a esta profissão.


***


Perúgia, 25 de outubro, à noite

[...]

Despedi-me, hoje à tarde, do meu capitão; é um digno representante dos seus compatriotas. Vou dar alguns extratos das nossas conversas: eles poderão permitir que se conheça o seu caráter. Vendo-me sempre silencioso e pensativo afirmou-me que não deveria pensar porque pensar envelhece; que, afinal, preocupando-nos com uma só coisa nos arriscamos a ficar loucos, e por conseqüência devemos sempre ter mil coisas na cabeça ao mesmo tempo. Em outra ocasião, confessou-me que havia percebido ser eu protestante, e me pediu licença para dirigir-me algumas perguntas sobre a minha religião, da qual ouvira dizer coisas bem surpreendentes.

- É verdade - indagou - que os sacerdotes da religião dos senhores permitem que se viva intimamente com uma mulher nova e bonita sem ser casado com ela?
- Nossos sacerdotes - respondi - são homens sábios e prudentes, que não se preocupam com semelhantes bagatelas, mas se lhes pedíssemos permissão para tais coisas, eles recusariam.
- Então ninguém é obrigado a pedir autorização? Felizes mortais que são os senhores!

E depois de se haver espalhado em invectivas contra os padres romanos, voltou ao interrogatório:
- E a confissão, como se arranja isto na sua religião? Nossos sacerdotes nos afirmam que os homens que não têm a felicidade de ser cristãos sentem necessidade de se confessarem, porém, muito obstinados para reconhecer o poder da Igreja, esses incréus se confessam à primeira árvore que encontram. Os protestantes fazem assim também?

Depois de haver escutado tudo que lhe disse para lhe dar uma idéia justa da nossa confissão, o oficial me assegurou que ela não diferia muito da que se fazia a uma árvore. Da confissão passou a um assunto mais importante, isto é, o casamento entre irmãos, que lhe haviam garantido ser muito comum entre os protestantes. Meus argumentos para o fazer encarar o protestantismo no seu verdadeiro aspecto muito pouco o impressionaram, e ele se pôs a me revelar um grande segredo que um padre muito fidedigno e muito veraz havia lhe confiado.

- Frederico, o Grande - disse-me - este grande herói que se cobriu de glórias e que o mundo julga herético, é um fervoroso católico. A prova é que ele nunca põe os pés num templo protestante, mas nos fundos do seu palácio há uma capela subterrânea onde ele assiste secretamente ao ofício divino, com o coração despedaçado pelo desespero de não poder confessar publicamente a sua fé. Porque os prussianos são bárbaros e hereges ferozes que o assassinariam imediatamente se o soubessem católico. Convencido de que esse assassinato seria mais nocivo do que útil à Igreja, o Santo Padre permitiu ao grande rei praticar sua religião em sigilo e protegê-lo nos seus Estados tanto quanto possa fazê-lo sem se comprometer.

Limitei-me a responder ao capitão que, desde que este fato constituiria um segredo entre o Papa e o rei da Prússia, era tão difícil afirmá-lo quanto negá-lo.


(Goethe, Viagem à Itália)

farsa em Veneza

5 de outubro de 1789, à noite.

Acabo de assistir a uma tragédia e ainda rio às gargalhadas. E, entretanto, não era em absoluto má, e os artistas se saíram do melhor modo.

Dois pais se odeiam, mas o filho de um e a filha do outro estabelecem um pacto de amor e casamento secreto. Chega o momento em que os pais, para os fazer felizes, devem morrer. E assim eles se apunhalam mutuamente, e o pano cai em meio a aplausos frenéticos. O público chama à cena os jovens heróis. Depois alguém grita: "I morti!"; e isto com tanto furor que os mortos por sua vez aparecem sendo acolhidos e mantidos em cena muito tempo com transportes de alegria e gritos de "Bravi i morti!"

É preciso ter visto e ouvido essa farsa para fazer dela uma idéia exata.


(Goethe, Viagem à Itália)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Não é no auge de nossos transportes, quando nos ferve o sangue nas veias, que somos mais capazes de encontrar o tom que comove e persuade


Todos os escribas irão morrer, mas
o tempo conservará o que suas mãos traçaram;
não escrevas com tua letra, portanto, nada
que no Juízo Final não te traga alegrias

(48ª noite das Histórias das Mil e uma noites)


Diz Montaigne ser dos que menos sentem tristeza, e que embora os homens no geral a estimem, ele mesmo não a aprecia nem valoriza. Se é verdade que ando encontrando ressonância em não poucos trechos do primeiro livro de Ensaios (que, numa ânsia repentina pelo frescor de tudo o que não é teoria, resolvi ler), não posso dizer que o início de "Da Tristeza" seja um desses - a melancolia é aqui, pelo contrário, uma disposição de espírito que vem de tempos em tempos e em diversas formas, algumas das quais chego, sim, a estimar (outras não). 

Desde sempre são duas as coisas que me impelem, mais forte e longamente do que as outras, a escrever: da primeira dizia aqui em cima; a segunda é a ânsia pelo futuro. É curioso que logo no ensaio seguinte Montaigne fale dessa, lembrando inclusive o que dizia Sêneca sobre os espíritos preocupados com o futuro (isso é, que são infelizes). Não creio chegar a tanto, já que nem só de preocupação são feitas minhas ansiedades - o planejamento e a expectativa têm seus sabores.

O que percebo de tudo isso (e que já vinha percebendo há uns poucos anos) é que não consigo escrever nem dizer direito sobre as grandes felicidades - aquelas felicidades completas, que não vêm matizadas por nenhum pontinho de melancolia sequer. De tristezas ou tristezinhas e esperanças sim, mas as alegrias sempre parecem mais difíceis, talvez não por algo como herança espiritual romântica ou coisa do tipo (sabe-se lá o que se passa com minhas próprias motivações), mas pela própria natureza da qual todas elas me têm parecido, até hoje, pertencer: a do indizível.

Montaigne fala do pintor antigo que, tendo de representar o sofrimento do pai de Ifigênia com o sacrifício da filha, não conseguia dar-lhe um aspecto condizente com o tamanho de sua dor, e acabou por pintá-lo com a face oculta. No final fala da paixão dos amantes (aqui cabe lembrar o sentido antigo de "paixão", que é antes de tudo passagem ou movimento da alma - e um movimento não muito sadio, quando tem a ver com romance); lembra de Catulo, engrolado e anuviado ao ver sua Lésbia, e de Petrarca: "Quem pode dizer a que ponto arde, arde bem pouco". 

O que acontece, no final das contas, é que resolvi inverter todo o nexo do ensaio e dizer que, depois de ler tantas crônicas de tristezas inexprimíveis, percebi que sempre sei dizer a que ponto ardem as minhas (não fosse assim, não iria, desde que me entendo por gente, escrever sobre elas), e vi o quanto há nisso de bênção. "A paixão que se deixa saborear e digerir mal merece ser nomeada", diz o Montaigne, corroborado pelo Sêneca (sempre o Sêneca): "Os prazeres leves são loquazes, as grandes paixões silenciosas". 

Sempre me arrependia um pouco de choramingar nos diários, quando os tinha, por sentir que não devia registrar coisas ruins. Quis agora descrever toda a felicidade profunda e constante que tenho na vida, a despeito dos percalços que todos encontramos, e lamentei não conseguir nada que parecesse suficiente. Pensando um pouco melhor, entretanto, é possível que dizer sobre minhas tristezas quase que invariavelmente loquazes me traga no Juízo Final, justamente pelo contraste entre a pequeneza do que pode ser dito e a grandeza do que não pode, mais alegrias do que havia pensado.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A única reação acertada só poderia acontecer se as pessoas parassem e os animais se calassem, se o céu pausasse e tudo cesasse por um momento num Requiem silencioso a você, meu amigo. Fere-me isso não acontecer; fere-me mais ainda ver que eu e todos nós estamos ainda aqui. A última coisa que poderia ser justa agora é continuar aqui. Que as rodas continuem rodando é um pecado, um horror.

A verdade é que meu desconhecimento de como lidar com a morte é tão grande e patente que faz com que, num ato de projeção, eu me pergunte se há verdadeiramente quem saiba. Aterram-me a fragilidade e a inércia; aterra-me acima de tudo o nunca mais, no qual não quero e nem vou crer, mas o peso da ruptura continua grande e não sei como pode deixar de sê-lo.

O que deseja o meu coração é que Deus te pegue como quem pega um passarinho, amorosamente em suas mãos.